domingo, 1 de novembro de 2009

O Barroco no Brasil

Chega ao Brasil pelas mãos dos colonizadores, sobretudo portugueses, leigos e religiosos. Seu desenvolvimento pleno se dá no século XVIII, cem anos após o surgimento do Barroco na Europa, estendendo-se até as duas primeiras décadas do século XIX. Enquanto estilo, constitui-se como um amálgama de diversas tendências barrocas, tanto portuguesas, quanto francesas, italianas e espanholas. Tal mistura será acentuada nas oficinas laicas, multiplicadas ao longo do século, onde mestres portugueses se unem aos filhos de europeus já nascidos no Brasil e seus descendentes caboclos e mulatos para realizar algumas das mais belas obras do Barroco Brasileiro. Pode-se dizer que o amálgama de elementos populares e eruditos produzido no interior de tais confrarias artesanais ajuda a rejuvenescer entre nós diversos estilos, ressuscitando, por exemplo, formas do gótico tardio alemão na obra de Aleijadinho. O movimento atinge seu auge artístico a partir de 1760, principalmente com a variação rococó do barroco mineiro.
Foi introduzido no início do século XVII pelos missionários católicos, especialmente jesuítas, que trouxeram o novo estilo como instrumento de doutrinação cristã. O poema épico Prosopopéia (1601), de Bento Teixeira, é um dos seus marcos iniciais. Atingiu o seu apogeu na literatura com o poeta Gregório de Matos e com o orador sacro Padre Antônio Vieira, e nas artes plásticas seus maiores expoentes foram Aleijadinho, na escultura, e Mestre Ataíde, na pintura. No campo da arquitetura esta escola floresceu notavelmente no Nordeste, mas com grandes exemplos também no centro do país, em Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro. Na música, ao contrário das outras artes, sobrevivem poucos mas belos documentos do barroco tardio. Com o desenvolvimento do neoclassicismo a partir das primeiras décadas do século XIX a tradição barroca, que teve uma trajetória de enorme vigor no Brasil e foi considerada o estilo nacional por excelência, caiu progressivamente em desuso, mas traços dela seriam encontrados em diversas modalidades de arte até os primeiros anos do século XX.

Durante o século XVII a Igreja teve um importante papel como mecenas na arte colonial. As diversas ordens religiosas (beneditinos, carmelitas, franciscanos e jesuítas) que se instalaram no Brasil a partir de meados do século XVI desenvolveram uma arquitetura religiosa sóbria e muitas vezes monumental, com fachadas e plantas retilíneas de grande simplicidade ornamental, bem ao gosto maneirista europeu. É somente quando as associações leigas (confrarias, irmandades e ordens terceiras) tomam a dianteira no patrocínio da produção artística no século XVIII, momento em que as ordens religiosas vêem seu poder enfraquecido, que o barroco irá se frutificar em escolas regionais, sobretudo no nordeste e sudeste do país. Contudo, uma primeira manifestação de traços barrocos, se bem que misturado ao estilo gótico e românico, pode ser encontrado na arte missionária dos Sete Povos das Missões na região da bacia da Prata. Ali se desenvolve, durante um século e meio, um processo de síntese artística pelas mãos dos índios guaranis a partir de modelos europeus ensinados pelos padres missionários. As construções desses povos foram quase totalmente destruídas. As ruínas mais importantes são as da missão de São Miguel, no Estado do Rio Grande do Sul.

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